Francisco de Assis Moreira Sousa é pai de Fredson Sousa, de 8 anos. Quando o menino tinha quatro anos, os professores avisaram os pais sobre a dificuldade de comunicação de Fredson. “Os professores alertaram a gente e nós buscamos logo investigar o que ele poderia ter. Quando ele foi diagnosticado, a gente começou logo a tratar ele”, conta o pai, que não mede esforços para cuidar do filho que sofre de Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O TEA, que é comportamental, apresenta como sintomas básicos a dificuldade de interação social, o déficit de comunicação social, tanto quantitativo quanto qualitativo e padrões inadequados de comportamento que não possuem finalidade social.
No caso de Fredson, o pai conta que o comportamento facilitou o diagnóstico rápido. “Ele tinha dificuldade para falar, dificuldade para se comunicar, ele não fixava o olhar e era uma criança muito inquieta. Foi basicamente o que foi avaliado e que levou ao diagnóstico dele”, afirmou Francisco de Assis Moreira Sousa.
De acordo com Flávia Neves, coordenadora da assistência a pessoas com Transtorno do Espectro do Autista (TEA), serviço pioneiro no Brasil, aberto esta semana pelo governador Flávio Dino e o secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula, no Centro Especializado em Reabilitação e Promoção da Saúde (CER), no Olho d’Água, alguns diagnósticos podem levar meses para serem fechados, especialmente, quando se trata de crianças muito pequenas. Para a especialista, a participação dos pais no processo de anamnese é importante.
“É realmente comum esse tipo de situação e a dificuldade ocorre porque existe o transtorno do espectro e não uma doença específica. São muitos sintomas, uma série de comportamentos associados àqueles sintomas, o que leva a um grau de dificuldade do profissional de fazer um diagnóstico imediato e preciso”, explica a psicóloga.
A complexidade do diagnóstico é uma rotina já conhecida por Lucimar Souto, mãe de Tomás Souto, de 5 anos. Desde que desconfiou da possibilidade de o filho ter o transtorno do espectro autista, quando a criança ainda tinha dois anos, a família vem visitando médicos e aguardando o fechamento do diagnóstico.
“Estamos nesse processo de descoberta. Quando ele tinha dois anos e sete meses, começou a manifestar alguns comportamentos que eu identifiquei como sendo possivelmente autismo. De lá pra cá, buscamos vários especialistas, até em outras cidades, e alguns acham que ele tem, outros acham que ele não tem. Então, nós ainda vivemos esse processo de diagnóstico”, explicou.

Crianças, jovens e adultos receberão assistência a pessoas com TEA no CER no Olho d’Água. (Foto: Julyane Galvão)
Tomás Souto iniciou a terapia ocupacional pouco tempo depois que os pais começaram a buscar ajuda médica. De acordo com a psicóloga, atitude que pode contribuir para um melhor desenvolvimento da criança. “Quando os pais desconfiam do autismo e buscam ajuda médica, independente de se ter o diagnóstico fechado ou não, é importante que o profissional encaminhe a criança para a terapia porque isso vai ajudar no desenvolvimento dela para seja qual for o transtorno ou doença que ela tiver. E o acompanhamento dos terapeutas e psicólogos ainda vai ajudar nesse diagnóstico também”, explica.
Assistência diária especializada
Com o novo serviço de assistência a pessoas com Transtorno do Espectro do Autista, oferecido gratuitamente pelo Governo do Estado, a assistência em saúde é ampliada mais uma vez em benefício da população.
Para Francisco de Assis, a assistência vai melhorar a qualidade de vida das crianças e dos pais. “Essa foi uma iniciativa muito boa. Nós, pais, estamos felizes porque a gente corria muito, porque uma criança com TEA precisa de variados cuidados, é uma vida difícil, em que você se dedica só ao filho e corre pra um canto e outro atrás da assistência que possa ajudar seu filho a melhorar. Aqui, nós encontramos todos os tratamentos da assistência que ele precisava em um só lugar”, contou Francisco.
Suely da Natividade conta com o acompanhamento do Centro há um ano e também vê positivamente o novo serviço oferecido na rede estadual. “Eu fiquei feliz demais com esse novo método, porque antes aqui ele só fazia a terapia ocupacional. Fono ele já fazia em outro lugar e, às vezes, demorava um mês entre uma consulta e outra. Ele acabava esquecendo o que aprendia. Agora está tudo em um só lugar e diário. Então, acredito que para o desenvolvimento dele será muito melhor”, comentou a mãe do Nicolas Gomes.
Durante cinco dias na semana, as pessoas assistidas pelo serviço recebem atendimentos de uma equipe multidisciplinar composta por psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicopedagogos e educadores físicos. Os pacientes passam por intervenções diretas, indiretas e multiprofissionais com analista do comportamento fazendo a supervisão de programas.
O serviço é o primeiro do Brasil baseado no método de análise de comportamento ABA e despertou elogios de grupos de apoio. “Isso aqui é uma vitória para as famílias que tanto lutam com suas crianças e adolescentes com TEA. Dá muito orgulho saber que no Maranhão hoje dispomos de um centro como esse”, afirmou Luize Muramaki, presidente da ONG Ilha Azul, que atende cerca de 200 pais de crianças e adolescentes autistas em São Luís.
Para ter acesso ao serviço, o agendamento pode ser feito na recepção do CER do Olho d’Água ou encaminhados via neuropediatras ou psiquiatras da rede SUS. “Tanto os pacientes que entram por agendamento, quanto os por encaminhamento passam por uma avaliação para saber qual tipo de atendimento ele requer”, completa a coordenadora do serviço, Flávia Neves.
FONTE: GOVERNO DO ESTADO