Temer convoca Forças Armadas para desbloquear rodovias

A greve dos caminhoneiros continua e o presidente Michel Temer decidiu convocar as Forças Federais (que contemplam as Forças Armadas, a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária e a Força Nacional) para desbloquear rodovias a partir desta sexta-feira. A paralisação dos motoristas de caminhões contra a alta do preço do diesel completou cinco dias hoje, apesar do acordo anunciado pelo Governo ontem. Rodovias do Maranhão, outros 24 Estados e do Distrito Federal continuam bloqueadas por protestos. As consequências da greve dão desde supermercados desabastecidos; postos de combustíveis sem etanol, gasolina e diesel; universidades e escolas com aulas suspensas; a voos e transportes coletivos comprometidos; entre outros.

O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, informou que apresentará uma proposta para os Estados reduzirem a cobrança do ICMS sobre o diesel. A sugestão pode resultar na bomba dos postos em uma diminuição de R$ 0,05. Somadas à outras duas medidas — o desconto de 10% dado pela Petrobras e o fim da CIDE sobre esse combustível — o desconto chegaria a R$ 0,35. A proposta será apresentada formalmente na próxima terça-feira em reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). A adesão não é obrigatória, mas tem de ser aprovada pela maioria dos 27 Estados. Até o momento as tratativas se baseiam apenas no diesel, não haveria mudança nos preços da gasolina ou do gás de cozinha. “A crise foi gerada pelos caminhoneiros, que dirigem veículos movidos a diesel. Vamos tratar desse problema emergencial”, afirmou Guardia.

A Advocacia Geral da União entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal para desbloquear todas as rodovias do Brasil. A ação está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Acordo do governo com caminhoneiros foi anunciado na noite desta quinta-feira (24)

Emparedado, o Governo Michel Temer (MDB) se rendeu. Com o país semiparalisado e temendo o caos como consequência da maior paralisação de caminhoneiros em duas décadas, o Planalto aceitou, na noite desta quinta-feira, 24 de maio, as principais reivindicações do movimento grevista – além de um desconto preço do diesel até dezembro, subsidiado pelo Estado e sem prejuízo para a estatal , foram conferidas outras benesses para condutores e empresas do setor de transportes. Em troca, o Planalto recebeu a promessa das lideranças da categoria de que haverá uma tentativa de encerramento da paralisação a partir dessa sexta-feira, uma trégua que deve durar pelo menos 15 dias. Depois, o movimento irá reavaliar se o Governo está cumprindo o seu compromisso.

 

A força dos caminhoneiros ficou evidente nas manifestações que se iniciaram na última segunda-feira e atingiram 25 unidades da federação com cerca de 500 bloqueios de rodovias. Interferiram no abastecimento de várias áreas, no fornecimento de produtos hortifrutigranjeiros, rações para animais, insumos de hospitais e nas peças para automóveis e combustíveis. Nenhuma montadora deve funcionar nesta sexta no país.

O presidente Michel Temer comemorou a vitória do “diálogo”. A Petrobras também lançou nota satisfeita, mas, apesar do acordo, os representantes dos caminhoneiros disseram que não é possível garantir com 100% de certeza de que a categoria suspenderá a greve imediatamente. “Vamos comunicar todos e esperamos que eles entendam que avançamos muito em nossos pedidos”, afirmou Diumar Bueno, presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA). Das 11 entidades que iniciaram as negociações, duas decidiram não assinar o documento final, a Associação Brasileira de Caminhoneiros e a União Nacional dos Caminhoneiros. Juntas, elas dizem representar cerca de 700.000 profissionais, enquanto que as outras nove representam 1 milhão.

Sem alternativas e diante da possibilidade de uma onda de desabastecimento em um país refém dos caminhões, a gestão Temer prometeu até botar a mão no bolso do contribuinte, mesmo em plena crise fiscal, para evitar maiores estragos. Até o fim do ano, a União se comprometeu a manter uma redução de 10% no preço final do óleo diesel. Mensalmente esse congelamento da tarifa será revisto.

 

Fonte: El País 

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