Talibãs controlam parte da cidade afegã de Kunduz

Pela primeira vez desde a queda de seu regime em 2001, os talibãs afegãos assumiram nesta segunda-feira (28) o controle de parte da cidade de Kunduz, enclave estratégico localizado no norte do país, infligindo um grave revés ao governo afegão.

 

A ofensiva dos talibãs contra a região comercial de 300 mil habitantes, localizada na estrada que liga Cabul ao Tajiquistão, iniciou nas primeiras horas desta segunda-feira, provocando a fuga de centenas de pessoas. No início da tarde, os insurgentes entraram na cidade.

À noite, os insurgentes controlavam “a metade da cidade, mas nossas tropas seguem resistindo em alguns bairros”, afirmou Sayed Sarwar Hussaini, porta-voz da polícia da província de Kunduz.

Segundo a fonte, os talibãs atacaram a prisão de Kunduz “e libertaram centenas de presos”, incluindo vários islamitas.

De acordo com um funcionário local, os insurgentes hastearam suas bandeiras na praça central da cidade, e já ocupam o gabinete do governador da província.

Os talibãs também assumiram o “controle do hospital municipal de Kunduz, que tem 200 leitos”, segundo uma fonte. “Eles caçam os soldados feridos”, explicou Sahad Mukhtar, diretor do centro médico.

Por sua vez, o governo afegão afirmou que as forças de segurança lutam contra os insurgentes nos arredores da cidade e anunciou o envio de reforços para “reverter a situação”, segundo as palavras do general Murad Ali Murad.

Ele informou que dois policiais, quatro civis e 25 talibãs morreram na ofensiva.

Os insurgentes islamitas, cada vez mais ativos na região norte do país, conseguiram em abril e junho deste ano chegar aos arredores de Kunduz. Nas duas ocasiões, no entanto, a polícia e o exército impediram a entrada na cidade, que fica a 100 km da fronteira com o Tadjiquistão.

Falta de apoio ao exército
O exército afegão não conta mais com o apoio das tropas estrangeiras da Otan, que encerrou sua missão de combate em dezembro do ano passado. Atualmente, a Aliança Atlântica mantém apenas 13 mil soldados dedicados às tarefas de treinamento e assessoria.

“A falta de coordenação na administração provincial de Kunduz e a falta de apoio às forças de segurança têm fortalecido o Talibã”, considera o analista Abdul Wahid Taqat.

A queda de Kunduz seria um grande revés para o governo de Ashraf Ghani, que prometeu durante sua eleição em 2014 trazer a paz ao seu país, dilacerado por mais de 30 anos de conflito, cerca de 14 com o Talibã.

Apesar de um grave conflito interno sobre a sucessão de sua figura paterna, o mulá Omar, os talibãs continuam a realiza regularmente ataques e confrontar o exército e a polícia em grande parte do país.

Quanto às primeiras negociações de paz diretas iniciadas pelos rebeldes com Cabul, em julho, foram adiadas por tempo indeterminado após o anúncio da morte do mulá Omar, que supostamente faleceu no início de 2013, e a sua substituição pelo mulá Akhtar Mansur.

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Moradores de Kunduz deixam a cidade após talibãs assumirem o controle do local, na segunda (28) (Foto: Reuters/Stringer)
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Soldados afegãos montam guarda na cidade de Kunduz, que teve seu controle parcialmente assumido pelos talibãs na segunda (28) (Foto: Reuters/Stringer)

Zabihullah Mujahid, porta-voz habitual do Talibã, confirmou à AFP que seu movimento estava por trás do ataque em Kunduz.

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