S&P tira Brasil de observação e mantém nota do país

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) anunciou que retirou a nota de risco soberano do Brasil do status de observação negativa (CreditWatch negativo), mantendo a nota de crédito do Brasil em moeda estrangeira e local em “BB” – dois patamares abaixo do grau de investimento (selo de bom pagador).

Apesar do afastamento do risco de um rebaixamento no curto prazo, a S&P manteve a perspectiva negativa para o rating do Brasil por conta dos desafios políticos ainda existentes.

A observação negativa foi anunciada em maio após as delações dos irmãos Batista envolvendo o presidente Michel Temer e parte do mercado via um risco de rebaixamento diante do já aguardado afrouxamento da meta de teto para o rombo das contas públicas em 2017 e 2018.

Apesar da piora da meta fiscal, agência avaliou em comunicado que a economia brasileira dá sinais de estabilização, “apesar da política fluida”.

“O Congresso aprovou uma reforma trabalhista em julho, e o governo permanece comprometido a promover uma reforma da previdência que contenha o crescimento da despesa”, destacou a S&P.

A decisão da S&P foi anunciada no mesmo em que o governo anunciava a elevação da meta fiscal de 2017 e 2018 para déficit de R$ 159 bilhões. A meta que está hoje em vigor é de déficit de até R$ 139 bilhões, para 2017, e de até R$ 129 bilhões, para 2018.

Na avaliação da agência, os desafios fiscais continuam significativos e a dívida pública deve continuar a subir até 2020. Em contrapartida, a situação das contas externas e a perspectiva de queda dos juros acontribuem para a saída da recessão.

Segundo a S&P, a perspectiva negativa para a nota reflete os desafios políticos e o risco de um rebaixamento nos próximos 6 a 9 meses caso o Congresso não consiga aprovar leis que reduzam a rigidez fiscal, que dificultam o controle do crescimento da dívida pública.

Perda do grau de investimento

Atualmente, a nota do Brasil está na mesma posição nas escalas das 3 principais agências de classificação de risco: dois degraus abaixo do grau de investimento. Desde 2015, o Brasil perdeu o selo de bom pagador.

O Brasil conquistou o grau de investimento pelas agências internacionais Fitch Ratings e Standard & Poor’s pela primeira vez em 2008. Em 2009, conseguiu a classificação pela Moody’s.

A S&P foi primeira a tirar o selo de bom pagador do Brasil, em setembro de 2015, ação que foi seguida pelas outras duas grandes agências internacionais: Fitch e Moody´s.

Segundo analistas de mercado, historicamente, países costumam levar cerca de 5 a 10 anos para recuperar o selo de país bom pagador.

Fonte: G1

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