Sepultada em Salvador, 19ª vítima de naufrágio sumiu no mar tentando salvar vítimas: ‘Morreu como guerreiro’

Salvador Souza Santos, de 68 anos, foi localizado três dias após a tragédia. Vítima foi sepultada na manhã desta terça-feira (29).

 

Sob forte comoção, o eletricista Salvador Souza Santos, de 68 anos, a 19ª vítima do naufrágio na Baía de Todos-os-Santos, foi sepultado na manhã desta terça-feira (29). A cerimônia ocorreu no Cemitério Quinta dos Lázaros, na capital baiana, por volta das 10h20.

Emocionado, o filho do eletricista, Marcelo Coelho, disse ao G1 que o pai sabia nadar, mas que acabou desaparecendo no mar tentando salvar vítimas. O idoso estava na embarcação que virou com 120 pessoas.

“Ele era uma boa pessoa. Tanto é que morreu como um guerreiro, depois de ter salvado duas pessoas e retornado para tentar salvar mais gente”.

Coelho acrescentou que viveu dias de angústia após o desaparecimento do pai. “A gente sente um alívio por encontrar meu pai, para acabar com essa angústia. A gente queria encontrar ele vivo, mas infelizmente o destino deu outro rumo a ele. Que Deus conforte nossa família e coloque ele em um bom lugar”.

O corpo de Salvador Santos foi localizado três dias após o acidente, a sete quilômetros de distância do local da tragédia. A vítima estava na Praia de Barra do Pote, em Vera Cruz, e foi encontrada por equipes da Marinha e do Corpo de Bombeiros.

Salvador tinha cinco filhos e era viúvo. Ele completaria 69 anos em novembro. O irmão da vítima, Romão Souza Santos, 72, lamentou a perda, que classificou como irreparável.

“Era um guerreiro, uma pessoa do bem, humilde. Só tinha qualidade. A gente não estranhou ele ter voltado para ajudar outras pessoas, porque ele era aquilo. Ele salvou duas pessoas, ficou sentado no recife, passou uma outra pessoa e disse ‘guerreiro, vamos embora’, e ele disse ‘não, vou salvar mais gente’. E aí, morreu como um guerreiro mesmo. É uma perda irreparável”.

Sepultamento foi acompanhado por uma multidão em Salvador (Foto: Natally Acioli / G1)

Sepultamento foi acompanhado por uma multidão em Salvador (Foto: Natally Acioli / G1)

Salvador Santos foi sepultado no Cemitério Quinta dos Lázaros, em Salvador (Foto: Natally Acioli / G1)

Salvador Santos foi sepultado no Cemitério Quinta dos Lázaros, em Salvador (Foto: Natally Acioli / G1)

 Salvador Souza Santos, de 68 anos, ficou três dias desaparecido (Foto: Reprodução / TV Bahia)

Salvador Souza Santos, de 68 anos, ficou três dias desaparecido (Foto: Reprodução / TV Bahia)

Tragédia

A lancha Cavalo Marinho I virou por volta das 6h30 de quinta-feira, cerca de 10 minutos após deixar o Terminal Marítimo de Mar Grande, que fica no município de Vera Cruz, localizado na Ilha de Itaparica. A embarcação tinha como destino Salvador e estava a aproximadamente 200 metros da costa quando o acidente aconteceu. A viagem dura aproximadamente 45 minutos.

As 19 pessoas que morreram no acidente já foram identificadas. São 13 mulheres, três homens e três crianças. Os corpos foram periciados no Departamento de Perícia Técnica (DPT) de Salvador e na unidade de Santo Antônio de Jesus.

Naufrágio na Bahia (Foto: Editoria de Arte/G1)

Naufrágio na Bahia (Foto: Editoria de Arte/G1)

A Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) informou que 89 pessoas haviam sido resgatadas com vida. Dentre os sobreviventes resgatados, 70 foram na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), em Mar Grande; 15 foram para o Hospital Geral de Itaparica; dois estiveram no Hospital do Subúrbio e dois no Hospital Geral do Estado (HGE), ambos em Salvador.

As causas do naufrágio devem ser divulgadas em inquérito aberto pela Capitania dos Portos e pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT), em um prazo de 90 dias, contados desde o acidente que ocorreu no dia 24 de agosto.

Entretanto, o engenheiro mecânico Antônio Mendonça, que dá aulas de construção naval e é pesquisador do Senai/Cimatec, disse que é possível tirar algumas conclusões. Ele acredita que três fatores tenham influenciado na tragédia: ventos fortes, ondas altas e desestabilização da embarcação provocada pelo movimentação dos passageiros.

Em nota, a CL Transportes, dona da embarcação Cavalo Marinho I, lamentou a tragédia e se solidarizou com as vítimas do acidente, além de reforçar que a embarcação estava regular, com todas as vistorias em dia. A empresa informou, ainda, que presta assistência às famílias das vítimas com uma equipe formada por médicos, psicólogos e assistentes sociais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  1. fonte: g1

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