Seminário da Visibilidade Trans discute saúde e nome social da população transexual do Maranhão

Um diálogo sobre as políticas de saúde para a população trans iniciou a programação desta sexta-feira (27) do 2º Seminário Estadual da Visibilidade Trans, que será realizado pelo Governo do Estado, até domingo (29), no auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – Centro Histórico. A mesa de diálogo, programada para as 8h30, discutirá a minuta da Portaria do Processo Transexualizador.

Realizado pela Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop), as atividades do seminário foram iniciadas na tarde de quinta-feira (26) com solenidade de abertura e uma mesa de diálogo para elaborar uma agenda para as mulheres trans. “Somos um segmento historicamente rejeitado pela maior parte da sociedade. Dificilmente conseguimos empregos, dificilmente somos aceitos nos núcleos de nossas famílias. Eles nos impedem de ser quem somos fora e dentro de casa”, afirmou a mulher trans, Mirella Thatyelle Sousa, representante da Comissão de Articulação com os Movimentos Sociais (CAMS).

Mulher trans Mirella Thatyelle Sousa durante o Seminário da Visibilidade Trans. (Foto: Divulgação/Sedihpop)

Mulher trans Mirella Thatyelle Sousa durante o Seminário da Visibilidade Trans. (Foto: Divulgação/Sedihpop)

Ao lado de Thatyelle Sousa, compuseram a mesa de abertura do evento o secretário de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop), Francisco Gonçalves, e ainda representantes da Secretaria de Estado de Trabalho e da Economia Solidária, da Defensoria Pública do Estado (DPE) e da Secretaria Especial da Mulher (Semu).

Segundo Francisco Gonaçalves, é preciso que as questões de gênero e, mais especificamente, a realidade da vida das pessoas trans estejam em discussão em diferentes espaços da sociedade maranhense. “Estamos diante de uma importante questão a cada dia mais atual. Reconhecer identidade das pessoas trans é reconhecer a sua humanidade e o direito de cada uma delas. O governo Flávio Dino é uma gestão que busca reconhecer e legitimar os direitos de todas as pessoas, entre elas estão as trans. Assim, estamos trazendo este debate para dentro do Estado”, disse o titular da Sedihpop.

De acordo com o superintendente de Educação em Direitos Humanos, Airton Ferreira, a população trans enfrenta dilemas que vão da falta de acesso a empregos dignos a inexistência de políticas de saúde específicas para o grupo. “São muitas as dificuldades enfrentadas pelas pessoas trans no Maranhão e no Brasil como um todo. A maioria das mulheres trans são forçadas a trabalhar na rua como prostitutas porque não conseguem uma alocação melhor no mercado de trabalho. Todos precisam sobreviver e a população homossexual em sofrido com exclusão social em diferentes campos”, disse Ferreira.

Seminário da Visibilidade Trans discute saúde e nome social da população transexual do Maranhão. (Foto: Divulgação/Sedihpop)

Seminário da Visibilidade Trans discute saúde e nome social da população transexual do Maranhão. (Foto: Divulgação/Sedihpop)

Ainda nesta sexta-feira (27) foi realizada a mesa de diálogo ‘Falando do Nome Social Para os Profissionais da Política de Assistência Social’, no auditório do Curso de Arquitetura, às 10h30. A instituição de uma campanha para o uso e convenção do nome social é outra batalha do segmento da população de gays, lésbicas, travestis e transexuais.

A pauta vai se estender à tarde. A partir das 14h, haverá uma nova discussão sobre a garantia e o direito ao nome social. Segundo Airton Ferreira, o tema é uma das principais preocupações da população LGBT. “O nome social é o nome pelo qual pessoas trans e travestis preferem ser chamadas cotidianamente, em contraste com o nome oficialmente registrado que não reflete sua identidade de gênero. Assim, nossa expectativa é construir uma campanha que defenda o uso do nome social em todos os espaços da sociedade”, esclarece Ferreira.

A programação do seminário se estenderá até a noite, quando haverá uma visita aos pontos de prostituição ao longo das avenidas Guajajara e São Luís Rei de França.

PROGRAMAÇÃO
SEXTA-FEIRA (27)

  • 8h30 – Mesa de Diálogo – Conversando Sobre as Políticas de Saúde da População Trans – Discutindo Sobre Minuta de Portaria do Processo Transexualizador. Local: Auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – Centro Histórico.
  • 10h30 – Mesa de Diálogo: Falando do Nome Social Para os Profissionais da Política de Assistência Social. Local: Auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – Centro Histórico.
  • 14h – Discutindo a Garantia e o Direito ao Nome Social. Local: Auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – Centro Histórico.
  • 21h – Visita nas áreas da Avenida Guajajara e Avenida São Luís Rei de França com entrega de Kit de preservativo. Local de encontro: Auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – Centro Histórico.

DOMINGO (29)

  • 16h – Ato Show Pelo Dia da Visibilidade Trans e Lançamento da Blitz do Gayvota. Local: Concentração Em frente ao Prédio Malvina Aboud – Caminho da Boiada.

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