Referencia no tratamento de hanseníase: Aquiles Lisboa celebra 80 anos de fundação

Por Mauro Garcia

O Hospital Aquiles Lisboa (HAL), celebrou na tarde de terça – feira (17), 80 anos de fundação na comunidade do Bom Fim no bairro na Vila Nova / Eixo Itaqui – Bacanga.

A data comemorativa reuniu profissionais da saúde e a comunidade da antiga colônia que  participaram  de uma missa campal, recital de poesias, além de uma extensa programação.

Durante a missa campal presidida pelo arcebispo Metropolitano de São Luís, Dom Belisário, foram homenageados, moradores da localidade, e funcionários da instituição, que participaram de um ato de fé e devoção a Deus.

O Hospital Aquiles Lisboa foi fundado como hospital colônia, onde recebia os doentes de hanseníase, ja que não havia tratamento adequado, por isso ficavam insolados da população, sendo na época uma triste realidade. Hoje é um dos centros médicos de referência no tratamento de pacientes com hanseníase, oferece tratamento completo para aqueles diagnosticados com a doença, com internação, reabilitação, acompanhamento psicológico, fonoaudiólogo, terapeutas ocupacionais, acompanhamento dermatológico e fisioterapia.

Entrevistado por uma equipe de reportagem local, o diretor administrativo do HAL, Raul Fagner Leite, falou sobre as comemorações e a passagem os 80 anos de história do Aquiles Lisboa.

Disse que naquele tempo tudo começou triste, quando não se tinha tratamento especializado , de referência, onde os serviços se estenderam a toda população, como ortopedia, neurologia, reumatologia, clínica geral e pediatria.

“São 80 anos de muita história, estigma e dor, mas também de muita alegria”. Conversamos com os egressos, as pessoas que chegaram aqui há mais de 50 anos, e eles relatam que na época criaram um mundo aqui dentro, no qual eram também felizes, mesmo diante da dor e da separação da família. Pontuou Raul.

“Ter a comunidade celebrando é simbólico, haja vista que hoje somos um hospital geral, não mais uma colônia”. Acrescentou Raul Fagner

Um dos egressos da antiga colônia, Flávio Serafim Lisboa, morador há mais de 50 anos, desde 21 de março de 1962.  Conta uma história antiga, marcas de um passado, onde o corpo e a memória guardam uma lembrança triste, quando teve que ser obrigado a morar no local.

Flavio falou sobre o passado, e de como sua vida se transformou após ingressar na antiga na colônia, tendo de conviver com o preconceito, ja que a sociedade tinha medo de se contaminar, e eles acabavam isolados.

Disse que atualmente são tratados com respeito e dignidade, e o tratamento foi humanizado pelos atuais profissionais da casa.

Para o arcebispo de São Luís, Dom Belisário, que presidiu a missa, a comemoração é um momento simbólico e muito importante para comunidade local, ja que eles conviveram um passado triste.

“Eu penso que esta oportunidade nos permite tomar consciência, que a doença atinge muitas pessoas, e ja deveria ter sido erradica no pais”. Agente lembra de todos aqueles que  se dedicaram ao longo do tempo para cuidar dos pacientes , assim como os profissionais da saúde da instituição que merece esta homenagem”. Ressaltou

Para atendimentos o hospital conta com 15 leitos de internação, ambulatório com mais de 25 especialidades abertas à população e setor de reabilitação;

O HAL esta passando por uma ampla reforma, para aumentar em 45 os leitos de internação, e melhorias na área estrutural pelo aumento de pessoas atendidas por ano.

“Não recebemos somente pacientes com hanseníase, recebemos quase todo tipo de paciente. Os sequelados de AVC, por exemplo, são tratados no setor de reabilitação, que é muito bom e completo. Acolhemos também crianças com sequelas na voz e no andar”, exemplifica Raul Fagner.

O diretor administrativo do HAL lembrou que nos últimos três anos foi possível implantar novos serviços, como de raio-x, urologia, fonoaudiologia, psicologia, entre outros, culminando ainda no aumento no número de exames laboratoriais. “Hoje, a nossa tão sonhada reforma está a todo vapor. Vamos inaugurar em breve e será um presente para comunidade”, frisou.

 

A Coordenadora do Memorial Domingas Borges, Ana Maria, destacou a importância do memorial que retrata a historia dos egressos, e também relatou um pouco da vida das pessoas que foram separadas de suas famílias.

Segundo a coordenadora, as atividades do Memorial não são apenas para restringir objetivos, porém foram dado suporte à comunidade de filhos de egressos na ajuda para o cadastramento dos mesmos para possível beneficio do Governo federal pleiteado por estes e por Movimento Social que os ampara (MORHAN), na questão de orientar preenchimento de requerimento e providencias de documentação, registrar seus dados dando início ao um cadastramento dos filhos separados para o acervo do hospital e futuras consultas.

Relata ainda que em relação aos filhos separados foi orientados 260 filhos de egressos desta ex-colônia, sobre Lei em tramitação na esfera Federal com pleito de indenização única para estes no valor de 50.000,00 por terem sido separados dos seus pais, quando do isolamento compulsório destes em ex – hospital colônia.

 

 

você pode gostar também Mais do autor

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.