Projeto Xadrez na escola ajuda alunos a romper barreiras e desenvolver habilidades

Portador do Transtorno do Espectro do Autismo, o estudante Breno Azevedo, de 12 anos, tem usado o xadrez para estimular habilidades da comunicação e bloquear comportamentos restritos e repetitivos. Isso foi possível após a implantação do projeto Xadrez na Escola, idealizado por um dos campeões mundial da modalidade, Rafael Leitão, e desenvolvido pelo Governo do Maranhão.

Breno é aluno do 5º ano do Centro de Ensino Estado do Rio Grande do Norte, escola da rede pública estadual em São Luís. O esporte tem contribuído para que ele enxergue o mundo de uma outra forma. “Eu comecei a ver no livro que eu recebi aqui na escola sobre xadrez. Daí eu comecei a ver como se jogava, e hoje o meu sonho é jogar com o Rafael Leitão e com o governador”, conta o estudante, referindo-se ao Festival de Xadrez, que aconteceu no último sábado, no Cintra, no bairro do Anil.

O festival reuniu aproximadamente 400 alunos de 9 escolas estaduais do Maranhão, com a participação do governador Flávio Dino e do campeão Rafael Leitão, que jogaram algumas partidas com alunos.

Assim como Breno, o Projeto Xadrez na escola tem mudado a vida de muitas crianças e jovens, como a de Mohamad Hassan Franco Cruz, de 10 anos, estudante do 5º ano do ensino fundamental: “Eu acho muito interessante as escolas realizarem um encontro que faça com que a gente possa encontrar mais alunos que jogam xadrez. Eu só comecei a ter contato com o esporte quando eu recebi o livro do projeto de xadrez aqui da escola, então, eu comecei a estudar com meu pai”.

“Antes eu tinha pouco contato e jogava às vezes, só como forma de passar o tempo. A partir de agora eu vou usar o xadrez como hobby. Estou preparado para participar do festival”, acrescenta o estudante.

Jogadora de xadrez, Ana Carolina, 11 anos, estudante do 5º ano (Orcenil Júnior)

Jogadora de xadrez, Ana Carolina, 11 anos, estudante do 5º ano (Orcenil Júnior)

O xadrez, um jogo de estímulos e respostas para problemas, passou a ser mais uma ferramenta para aprendizagem e incentivo nas escolas maranhenses. Com o projeto, a rede pública coloca em prática mais uma ferramenta para aguçar os conhecimentos cognitivos dos alunos, como o da aluna e jogadora de xadrez Ana Carolina Rodrigues Amorim, 11 anos, estudante do 5º ano.

Carolina, que já é detentora do título de vice-campeã em uma competição infantil organizada no bairro onde reside, comenta que o livro distribuído pelo projeto abriu os olhos de muitos estudantes para participar da atividade. “Eu já jogava xadrez, mas eu me despertei mais ainda depois que minha escola começou a desenvolver o projeto, o que me ajudou a pensar mais e ter mais concentração. Estou muito feliz por poder compartilhar o que a gente vai aprendendo com outros colegas. Eu comecei a jogar com meu pai e me sinto bem preparada para próximos campeonatos”, avalia a estudante.

O secretário de Estado de Educação, Felipe Camarão, enfatiza a importância do projeto para o desenvolvimento de habilidades nos alunos e integração da comunidade estudantil. “Os participantes conseguiram alcançar e até ultrapassar as metas estabelecidas pelo projeto e este avanço tem influído na melhor absorção das atividades escolares. Novas metas foram estabelecidas para ampliarmos ainda mais esta iniciativa, que tem levado o xadrez aos estudantes da rede estadual”.

Os organizadores resolveram batizar o evento de festival para dar mais sentido de celebração do que de disputa. “O xadrez tem um ganho muito grande para matérias que são muito importantes, por exemplo, a matemática. O xadrez desenvolve o raciocínio lógico, um professor pode trabalhar num tabuleiro de xadrez, a geometria, entre outras coisas. Isso é muito importante para nós, do Maranhão, que temos uma luta muito grande para elevar o Índice de Desenvolvimento Básico (Ideb) do estado. Claro que se tivermos campeões saindo do projeto vai ser muito bom, mas o principal objetivo é melhorar o rendimento escolar de nossos jovens”, explica o coordenador do projeto e secretário-adjunto de Projetos Especais da Secretaria de Educação (Seduc), Ismael Cardoso.

Mohamad Hassan, um dos primeiros alunos da escola a ter acesso ao livro de xadrez (Orcenil Júnior)

Mohamad Hassan, um dos primeiros alunos da escola a ter acesso ao livro de xadrez (Orcenil Júnior)


A diretora do Centro de Ensino Estado do Rio Grande do Norte, Caliane Fontenele, conta como surgiu o interesse em aplicar o xadrez na unidade escolar: “Os professores de educação física da escola tiram um espaço do tempo deles, fora da grade de ensino, para fazer esta atividade e estimular os alunos”.

Estruturação do projeto
O Governo realizou uma formação para professores de educação física, da rede estadual de ensino do Maranhão, com o campeão de xadrez Rafael Leitão, para que fossem aplicadas as dinâmicas de ensino do esporte nas escolas. “Mais professores querem participar da próxima etapa de formação, onde a fase já está sendo pensada para inserir mais educadores que não tiveram a oportunidade de fazer o curso. E isso é extremamente importante para multiplicarmos a temática”, ressalta Caliane.

Durante a capacitação, os educadores receberam informações básicas sobre o xadrez desde a história, a filosofia do esporte, o sentido do jogo, as contribuições para o desenvolvimento do raciocínio, e, principalmente, sobre as regras e os detalhes de uma partida de xadrez.

Motivação
Os professores de educação física do Centro de Ensino Estado do Rio Grande do Norte estão pensando em elaborar um festival interno para que os alunos possam interagir e fortalecer a cultura do xadrez no ambiente escolar, além de levar a ideia para o lazer em suas casas, compartilhando com seus familiares.

O Festival
Além do Cintra, as demais escolas que integraram o projeto este ano são Colégio Militar 2 de Julho; os Centros de Ensino Rio Grande do Norte e Sagarana II; as Unidades Integradas Barbosa de Godóis, Jackson Lago, Maria Firmina dos Reis e Mato Grosso; e o Núcleo de Altas Habilidades e Superdotação. A meta para 2018 é ampliar para 100 o número de escolas participantes em todo o estado.  O projeto, desenvolvido pela Seduc em parceria com o enxadrista Rafael Leitão, foi implantado no começo deste ano para atender 10 escolas de São Luís.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

fonte: governo do estado

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