Médico de Felipe Titto diz que ator não teve infarto, e sim miocardite. Entenda a doença

O ator Felipe Titto, de 30 anos, foi internado após sentir dores no peito e formigamento no braço esquerdo, no domingo (22). Em uma rede social, ele afirmou que sofreu infarto do miocárdio (músculo do coração) e levantou suspeitas de que o problema pode ter sido provocado por forte estresse ou dengue. No entanto, o cardiologista do Hospital São Luiz e chefe da Unidade Coronária do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, Rui Ramos, que atendeu o ator disse, na verdade, Titto teve miocardite.

Em conversa com o R7, o especialista explicou que a miocardite pode ser causada por qualquer infecção viral, como arbovírus [transmitido por mosquitos] ou uma simples gripe. Além disso, a doença “é muito confundida com ataque cardíaco porque dá dor no peito e altera o ritmo do coração”, disse o médico.

— Não é comum, de modo geral, mas qualquer vírus pode acometer o coração. Quando a pessoa é atendida, a primeira hipótese sempre é de infarto porque é o mais perigoso. Depois de descartado o risco, são feitos outros exames para detectar outras doenças.

O cardiologista recomenda que em qualquer sinal de dor no peito ou outros sintomas estranhos, deve-se procurar atendimento médico urgente, mesmo se o paciente não tiver fatores de risco para doenças cardiovasculares.

— Geralmente, miocardite é mais comum entre 20 e 50 anos. No jovem, a doença coronária é difícil. Normalmente, acontece acima dos 50 anos. Infarto não é doença de jovem. Se acontecer, tem que ter um fator muito raro, como colesterol alto na família, se é fumante compulsivo ou usa drogas ilícitas.

Após o diagnóstico, o tratamento para miocardite é simples, explica Ramos.

— Se não tiver causa específica, é tratar os sintomas e repouso. Se tiver sido causada por protozoário ou outra infecção bacteriana, trata-se o agente diretamente.

Entenda o que é o infarto

O infarto é a obstrução de uma artéria coronária que leva a circulação de oxigênio para as células do miocárdio, que é uma parte do coração. É a doença que mais mata no mundo, explicou o codiretor da unidade coronariana do HCor (Hospital do Coração de São Paulo) e professor da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), Leopoldo Piegas.

— Se essa artéria fica sem oxigenação, ela morre. Isso é o que chamamos de infarto e, quanto mais o tempo passa, mais a região fica comprometida. O coração nunca vai voltar a ser 100% e a gravidade está relacionada ao tamanho do infarto. Se for extenso, a pessoa não sobrevive. Se moderado, o paciente pode sobreviver, mas com insuficiência do coração. Se pequeno, a pessoa pode voltar a ter vida normal.

Por isso, a rapidez do atendimento é fundamental porque uma célula consegue ficar até 20 minutos sem sofrer nada. A medida que as horas passam, a zona morta aumenta, diminuindo as chances de sobrevivência, informa o especialista.

— O melhor tratamento é levar para o hospital onde vai ser feito um cateterismo. Vão abrir a artéria e colocar um stent, que é uma prótese metálica que vai alargar a artéria e restabelecer a circulação.

De acordo com Piegas, o percentual de casos de infarto em pessoas com menos de 40 anos é baixo em relação aos demais casos (cerca de 10%), mas há aumento considerável nos últimos 30 anos.

— Isso é explicado porque vários fatores de risco têm aparecido, como o aumento do consumo de drogas ilícitas, como cocaína. Mas também há outros fatores, como histórico familiar.

O especialista ainda ressalta que a dor no peito é o sintoma mais comum de infarto, porém, outros sinais podem indicar a doença.

— O sinal principal é a dor e opressão no peito, como se estivessem apertando mesmo. Mas também há relatos de pacientes infartados que tiveram cansaço extremo, mal-estar, tontura, suor frio, formigamento no braço, dor no estômago, queimação.

Prevenção é o melhor caminho

Hábitos saudáveis ajudar a manter a saúde do coração. Fazer exercícios físicos, ter boa alimentação, não fumar, controlar o colesterol, a hipertensão, o diabetes e evitar excesso de bebidas alcoólicas. O cardiologista também aconselha evitar o estresse.

— Isoladamente, é raro o estresse causar infarto, mas pode ser um gatilho para um ataque. Pode acontecer de alguém estressado durante bastante tempo ter um infarto porque isso facilita o aparecimento de lesões nas artérias coronárias. Fazendo a prevenção não quer dizer que a pessoa não vai ter ataque cardíaco, mas pode adiar a doença para depois dos 70, 75 anos. O que vemos hoje é o aumento de infartos na faixa etária dos 50 e 60 anos justamente pela falta de controle [dos fatores de risco].

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