Mais um paciente é vítima de infecção no Socorrão II

Mais um caso de infecção hospitalar dentro do Hospital Municipal Dr. Clementino Moura (Socorrão II) assusta doentes e familiares de pacientes internados na unidade. A nova vítima é Wilson dos Santos Oliveira, que teve a perna amputada depois de sofrer um acidente no dia 25 de dezembro do ano passado, na BR-135, em Bacabeira. No dia 10 de dezembro, Gustavo Augusto Silva Costa, de 7 anos, morreu no mesmo hospital após contrair pneumonia e infecção hospitalar.

Wilson Oliveira tem 30 anos, reside no município de Icatu e, segundo sua sobrinha, Francília Silva dos Santos, está com a perna operada e permanece alojado em um dos corredores do setor de ortopedia do Socorrão II. Por falta de local adequado, os curativos são feitos na própria maca na qual aguarda a transferência para outra unidade de saúde.

O martírio dele e de sua família teve início no dia 25 de dezembro, após sofrer um acidente na rodovia federal a caminho de Icatu. Ele precisou ser trazido para São Luís e no Socorrão II precisou ser operado rapidamente. Em razão da gravidade do acidente, sua perna teve de ser amputada.

Neste momento, a situação, que já dolorosa, foi agravada. Em conversas com os profissionais que atendiam o tio, Francília dos Santos foi informada de que, para evitar outros problemas, todos os familiares deveriam procurar uma transferência. “O médico me disse que, se nós não o transferíssemos o mais rápido possível, poderia ocorrer uma infecção hospitalar, o que pioraria seu estado de saúde”, disse a sobrinha.

Na semana passada, foi confirmado que Wilson Oliveira já teria contraído uma infecção. Indignada com o tratamento oferecido pelos médicos e enfermeiros, Francília dos Santos disse que quando o tio saiu da cirurgia já era aguardada uma vaga para colocar os pontos no local em que houve a amputação. “Mandaram ele descer e até então nada foi feito. Estamos à espera de uma vaga para que ele saia dessa situação”, disse.

Outro problema relatado pela sobrinha de Wilson Oliveira foi a maneira e o local no qual os profissionais têm feito os curativos. Para ela, não há cuidado nem a assepsia mínima para a realização do procedimento. “Os curativos são feitos na maca e a sujeira acaba ficando no chão, perto dele. Achei um absurdo a forma como eles tratavam meu tio. Depois disso, ele me falou que não aguentaria outro curativo e o pior é que a situação é igual em todo o hospital”, afirmou.

A alimentação é outro aspecto que causou estranheza aos familiares. O cardápio do dia anterior (segunda-feira), conforme informou Francília dos Santos, foi arroz com feijão e frango frito. “Nem parecia comida de hospital”, comentou.

Vistorias – No dia 13 de dezembro, equipes da Superintendência de Vigilância Sanitária (Visa) estiveram no Hospital Socorrão II para investigar as causas da morte de uma criança de 7 anos. Gustavo Augusto Silva Costa ficou internado no corredor da ala pediátrica do Socorrão II por 48 dias e foi internado com forte crise convulsiva. Dias depois de sua internação, Gustavo Augusto contraiu pneumonia e infecção hospitalar. O que mais revoltou seus familiares e amigos à época foi o fato de terem encontrado vaga no Hospital Juvêncio Matos, porém a transferência não pôde ser realizado porque o estágio da infecção em que o menino se encontrava poderia contaminar outras crianças.

O Estado manteve contato com a Secretaria Municipal de Saúde (Semus), por meio de sua assessoria de comunicação e foi informado que o paciente foi operado com urgência no mesmo dia em que sofreu o esmagamento da perna em acidente, para amputação do membro inferior esquerdo, na altura da coxa. A Semus afirmou ainda que não procede a informação de que o paciente teria contraído infeccção no corredor da unidade, pois ele estava sendo atendido no leito 15 do setor de Clínica Médica, e sem apresentar nenhuma infecção. Informou também que na manhã de ontem, dia 4, o paciente foi novamente encaminhado ao Centro Cirúrgico para fechar o côto de amputação e, provavelmente, deverá receber alta nas próximas 48 horas.

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