Jovens são agredidas em um ônibus de São Luís por estarem de mãos dadas

 

Garotas foram agredidas verbal e fisicamente por uma senhora, que chegou a pegar um pedaço de pau durante o episódio

 

SÃO LUÍS

 

No início deste ano, um adolescente de 17 anos foi assassinado brutalmente na região metropolitana de São Luís e a polícia, que investiga o caso, acredita que o crime tenha sido motivado por homofobia. O Jovem foi assassinado a facadas e teve seu corpo jogado em uma trilha por um grupo de pessoas que não aceitavam o fato de ele ser gay. Nesta semana, o desfecho da história não foi tão trágico, mas a motivação para as agressões foi a mesma: uma senhora entrou em um ônibus de São Luís fazendo uma espécie de evangelização e, ao perceber que duas garotas estavam de mãos dadas, passou a proferir palavras de ódio e chegou a agredir o casal com um pedaço de pau. Policiais chegaram a entrar no coletivo, mas não evitaram as agressões, poderiam terminar da mesma maneira do primeiro caso citado na reportagem.

 

Felizmente, praticamente todos os passageiros se solidarizam com as vítimas, que têm recebido bastante apoio também nas redes sociais. Um boletim de ocorrência foi registrado, mas a agressora ainda não foi encontrada. Segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB), só no ano passado, 343 pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transsexuais (LGBT) foram mortas no Brasil. No Maranhão, segundo números da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), entre 2008 e fevereiro de 2017, 66 LGBT’s foram assassinados no estado.

“Já aconteceu outra vez de um senhor, também evangélico, entrar no ônibus pregando e ficar falando sobre lésbicas, sendo que eu estava com minha namorada, mas não falamos nada”, disse à reportagem uma das jovens agredidas nesta semana em São Luís. Ela fez o relato deste último acontecimento em sua página em uma rede social. Fotos e vídeos das agressões, que aconteceram na última terça-feira (1º), foram divulgados na internet.

Mulher chegou a pegar um pedaço de pau para agredir o casal (Foto: Reprodução)

 

“Foram proferidas várias palavras que nem vou citar aqui, mas que nos deixaram muito tristes e com raiva da situação. Vendo que todos os passageiros estavam incomodados com a situação, o motorista parou perto de uma viatura e dois policiais subiram no ônibus, não tomando atitude alguma, apenas afirmando ‘que ela tinha pagado passagem então tinha o direito de permanecer no local’”, escreveu ela, que preferiu não ter seu nome citado nesta reportagem.

 

Ainda segundo uma das vítimas, a agressora chegou a pegar um pedaço de pau para agredi-las. “Descendo na Deodoro [Praça Deodoro], ela ainda pegou um pedaço de madeira para me bater, fomos atrás de uma viatura mas ela acabou fugindo. Fui agredida verbal e fisicamente por uma senhora completamente doente”, relatou.

 

Boletim de ocorrência

 

Ex-superintendente de Promoção e Educação em Direitos Humanos na Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular (SEDIHPOP), o advogado e especialista em direitos LGBT’s, Thiago Viana, informou que já manteve um contato com as vítimas e orientou-as registrar um boletim de ocorrência.

 

“Elas [as vítimas] já prestaram um boletim de ocorrência, que é a única coisa que nós podemos fazer neste momento, mas a agressora ainda não foi identificada. Esperamos que, com essa repercussão que vem tendo, ela seja identificada e responda pelo que fez”.

 

A repercussão vem sendo realmente bem grande, principalmente nas redes sociais, onde vários internautas enviaram mensagens de apoio ao casal.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FONTE: IMIRANTE.COM

 

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