Focos de queimadas no Maranhão diminuíram 39% em 2016, aponta estudo do Imesc

O número de focos de queimadas caiu aproximadamente 39% em 2016 em relação ao ano anterior. Foram 265.211 casos identificados ano passado e 432.278 em 2015. Os dados fazem parte do Relatório de Incidências de Queimadas no Maranhão referente a 2016, com análise da dispersão dos focos de queimadas no Maranhão, apresentado pelo Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (Imesc).

Em 87,5% dos municípios maranhenses foi registrada a diminuição na incidência de focos de queimadas entre 2015 e 2016, com destaque para Centro Novo do Maranhão (85,8%), Tuntum (83%), Itinga do Maranhão (82,8%), Santa Luzia (68,6%) e Amarante do Maranhão (61,3%). A pesquisa mostra uma redução de focos mais acentuada nas regiões norte e oeste do estado, com concentração de casos na região central e maior dispersão nos municípios do Sul, como Balsas e Alto Parnaíba. A ampliação da fiscalização nas áreas protegidas com maior investimento do Governo no ano de 2016 resultou na diminuição do número de queimadas em aproximadamente 30% em relação a 2015, especificamente nessas regiões.

Segundo o pesquisador do Imesc, José de Ribamar Carvalho, mesmo com a redução considerada na incidência de focos de queimadas no Maranhão, é necessário a manutenção dos municípios em alerta e garantir aumento do aparelhamento e técnicas de combate e prevenção de incêndios. “Os indicadores analisados demonstram tendência a uma maior dispersão e incidência dos focos, o que pode provocar grande impacto a paisagem local, se não houver medidas rápidas e preventivas para contenção do avanço das queimadas nestas localidades”, analisa o geógrafo.

Operações de combate e prevenção a queimadas irregulares e ações educativas com as comunidades agricultoras e indígenas contribuíram para a diminuição dos focos. É o que ressalta o comandante geral do Corpo de Bombeiros do Maranhão (CBMA), coronel Célio Roberto Pinto de Araújo. “Executamos ações específicas nesse sentido e descobrimos que, na grande maioria dos casos, as queimadas de desmate para o plantio eram as causas do problema. As equipes orientaram as comunidades e nos casos que cabiam, agimos repressivamente. Por isso, hoje podemos divulgar dados mais amenos e a meta é diminuir ainda mais a incidência destes casos”, afirmou.

O comandante destacou entre as medidas a instituição do Comitê de Proteção à Amazônia, composto por representantes do Corpo de Bombeiros dos estados da Região Norte e do Maranhão e Mato Grosso, que integram o território da Amazônia Legal. Durante as reuniões do grupo são colocadas as problemáticas de cada região e sugeridas medidas conjuntas com demais instituições para contenção dos casos. “O Comitê vai tornar possível termos ações mais coordenadas e agir de forma parceira”, disse Célio Roberto. O Comitê tem ainda como atribuição levantar recursos para o Fundo de Preservação da Amazônia Legal.

Outra medida para conter os casos deve ser formatada em março, quando Bombeiros reúnem com integrantes da Fundação Nacional do Índio (Funai-MA), para discutir convênio e a formação de uma brigada indígena permanente nas aldeias. Esse projeto visa realizar ações preventivas, impedindo início ou avanço de focos. A proposta é que os indígenas recebam treinamento e possam somar com o Batalhão no controle das queimadas. “A corporação é sempre bem recebida pelos indígenas e com esta parceria formalizada poderemos desenvolver um trabalho mais eficaz, impedindo, inclusiva, a ação ilegal de madeireiros nestas áreas”, disse.

Aumento da pluviosidade

O estudo aponta que a redução da quantidade de focos de queimadas de 2015 para 2016 está relacionada com o aumento da pluviosidade e maior distribuição de dias chuvosos em 2016, que passou de 91.798,7 mm/ano em 2015 para 147.356,2 mm/ano no ano seguinte. Para ter acesso ao relatório completo produzido pelo Imesc, acesse o link: http://imesc.ma.gov.br/portal/Post/view/6/126.

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