Ex- Jogador da Seleção Brasileira escolhe São Luis para morar e fazer projetos

Por Djalma Rodrigues)

Na Copa do Mundo de 1986, no México, ele brilhou talvez mais do que os consagrados craques Zico, Sócrates, Branco, Toninho Cerezo e companhia. Isso porque, embora atuando na lateral direita, fez dois belos e surpreendentes gols, contra a poderosa Polônia e contra a tímida Irlanda. Foi o suficiente para ganhar as manchetes do mundo inteiro e o coração da torcida brasileira. A fama foi imediata, embora o Brasil tenha tropeçado nas quartas de final contra a França.

Esse negro de estatura mediana,  de porte ainda atlético e atarracado é Josimar Higino Pereira, nascido no subúrbio carioca de Pilares, que, aos 53 anos, decidiu, desde o ano passado, fixar residência em São Luis, onde está  montando o projeto “Bola no pé e livro na mão”, em parceria com o vereador Ricardo Diniz  (PC do B).

Carreira

JJosemart-concede-entrevista-a-Djalma-Rodrigues-sob-os-olhares-do-vereador-Ricardo-Diniz (1)osimar começou a sua carreira profissional no Botafogo em 1982, permanecendo no clube durante oito anos. Neste período, além de conquistar vários títulos internacionais – Genebra-1984, Berna-1985, Taça Cidade Palma de Mallorca-988 – fez parte do elenco que conquistou o principal título do Glorioso na década de 80: o estadual de 1989, pondo fim a um jejum de 21 anos sem conquistas expressivas.

Depois jogou no Sevilla (Espanha), Flamengo, Internacional, Novo Hamburgo-RS, Bangu, Fortaleza, Jorge Wilstermann (Bolívia), Fast Clube-AM e Mineros de Guayana (Venezuela).

Pela Seleção Brasileira,  jogou de 1986 a 1989, sendo campeão da Copa Stanley Rous, em 1987, e da Copa América, em 1989. Disputou a Copa do Mundo em 1986, no México, quando marcou os dois gols mais importantes da carreira, contra a Irlanda e contra a Polônia.

Nessa Copa, o Brasil foi desclassificado nas quartas de final pela França, na cobrança de pênaltis, após empate de 1×1 no tempo normal. Sócrates e Júlio César desperdiçaram as cobranças. No tempo normal, Zico perdeu um pênalti, quando  a partida estava empatada.

Na última quarta-feira (25), Josimar esteve na Câmara Municipal de São Luis, onde conversou com vereadores, foi assediado por dezenas de fãs e, numa entrevista concedida a Djalma Rodrigues, falou as razões de ter vindo morar  em São Luis, destacou pontos do seu projeto e mostrou preocupação quanto à possibilidade do Brasil não se classificar  para a Copa do Mundo de 2018 na Rússia. Vamos à entrevista:

DJALMA RODRIGUES- Quais as razões de fixar residência em São Luis, após morar em outras cidades brasileiras e no exterior?

JOSIMAR – Foi um caso de amor à primeira vista. Estive em São Luis a primeira vez de passagem, quando vim dar um passeio pelos Lençóis Maranhenses. A capital do Maranhão me deixou encantado e, em 2015, decidir vir morar nesta bela cidade. Fui recebido de braços abertos, sou muito bem tratado aqui.

DJALMA RODRIGUES- Além da Copa do Mundo de 1986, em que você despontou para a fama, quais outras grandes  emoções que lhe propiciaram o futebol?

JOSIMAR –  A Copa de 1986 foi uma vitrine para mim, embora até hoje tenha lamentado não termos conquistado o título, mas o futebol sempre me deu muitas emoções e, uma das mais fortes, foi o Campeonato Estadual do Rio de Janeiro, vencido pelo Botafogo, de forma invicta, em 1989. O Botafogo estava sem levantar o troféu há  21 anos. Sou botafoguense de coração e aquele título, me emocionou bastante.

DJALMA RODRIGUES- Você integrou a formidável Seleção de 1986, comandada  por Telê Santana e que tinha Sócrates, Zico e tantas outras estrelas. Como o grupo encarou aquela histórica derrota para a França, nas quartas de final, na cobrança de pênaltis?

JOSIMAR –  Um clima de velório se instalou entre nós no vestiário, ficamos muito tristes, pesarosos. Aquela foi uma geração de muito brilho, como o Zico, o Sócrates, o Toninho Cerezo, o Júnior e vários outros craques, que não tiveram o prazer de ganhar uma Copa do Mundo. Veja que a Seleção , já havia tropeçado na Copa de 1982, na Espanha, contra a Itália, nas semifinais. Aquela geração já estava se preparando para pendurar as chuteiras e, por isso, queria, de qualquer forma ganhar uma Copa, mas, infelizmente, não deu.  Futebol é isso. É repleto de emoções, em que nem sempre vence o melhor, mas aquele que consegue aproveitar as melhores oportunidades. Para que se tenha uma ideia, vários jogadores franceses foram  ao nosso vestiários nos cumprimentar e se disseram surpresos, porque afirmaram que haviam entrado em campo com a certeza da derrota.

DJALMA RODRIGUES – Atualmente, a Seleção Brasileira já não mete em nenhum adversário. O que está acontecendo, na sua concepção, com o futebol brasileiro?

JOSIMAR –Não é só na minha concepção, mas na concepção do mundo inteiro. Tempos atrás, íamos enfrentar a Venezuela, por exemplo, e, nas bolsas de apostas, o placar geralmente era de que o Brasil venceria de 5×0 pra frente. Hoje isso mudou e a Venezuela se tornou um forte adversário. Temos perdido para os venezuelanos. Acho que está faltando mudança estrutural e preparo. Todo mundo está se organizando enquanto estamos ficando para  trás.

DJALMA RODRIGUES- Temos aí, para este ano, a Copa América e os jogos Olímpicos. Quais são suas expectativas em torno do Brasil nestas duas competições?

JOSIMAR – São boas minhas expectativas. Primeiro que sou amante do futebol, sou um atleta e sou brasileiro. Mas vejo que não será fácil. Temos apenas o Neymar como figura de destaque. Não podemos viver apenas à sombra do Neymar, que vai para os Jogos Olímpicos e não atuará na Copa América. O Brasil tem que se reciclar, para poder avançar e  conquistar a força e o prestígio que teve no passado.

DJALMA RODRIGUES- E a histórica derrota do Brasil para a Alemanha, por 7×1, aqui dentro de casa, na última Copa do Mundo, como você a digeriu?

JOSIMAR –Difícil explicar. Muito difícil, muito complicado. Foi um desastre que jamais será esquecido. Tenho amigos na Alemanha, que sempre brincam comigo. Todo mundo quer ganhar do Brasil, mas o episódio contra os alemães deve é servir de exemplo, para o Brasil se prepare e que jamais ocorra outro desastre como esse.

DJALMA RODRIGUES – Rivelino, que foi tri campeão mundial pelo Brasil na Copa de 1970, no México, ao lado de Pelé,  Tostão, Carlos Alberto e outros estrelados, disse, na semana passada que dificilmente o Brasil estará na Copa do Mundo de 2018, na Rússia, por conta do pífio desempenho nas Eliminatórias. Você concorda com a tese dele?

JOSIMAR – Discordo. Apesar dos tropeços, o Brasil ainda reúne plenas condições de classificação. O que se precisa é de  um trabalho de equipe bem definido, de uma reciclagem, de união, de entendimento e de força de  vontade. Acredito na classificação do Brasil, porque se isso não acontecer, será a primeira vez que o Brasil ficará fora de uma Copa, o que seria muito triste para o povo brasileiro, um povo que sempre se notabilizou pelo amor ao futebol.

DJALMA RODRIGUES- No que consiste o projeto  “Bola no pé e livro na mão?”

JOSIMAR – É a materialização de um sonho. É a busca do amparo e o resgate de jovens problemáticos. É um autêntico antídoto contra as drogas, contra a marginalidade. O esporte proporciona isso. Que atire a primeira pedra quem nunca enfrentou problemas na vida. Eu, por exemplo, enfrentei vários e, agora, quero contribuir para ajudar jovens com problemas. O projeto tem regras, e exige que, quem participe dele,  esteja na escola e tenha boas notas. Não é apenas futebol ele também oferece curso de idiomas estrangeiros e outros benefícios. O vereador Ricardo Diniz estará nessa parceria e tenho plena certeza de que a sociedade de São Luis irá abraçá-lo da mesma forma como me abraçou.

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