Em três dias, choveu mais da metade do previsto para o mês

De acordo com o Nugeo da Uema, apesar do volume de chuvas ter sido grande, ocorrências de temporal esta época do ano está dentro da normalidade climática

 

SÃO LUÍS – A noite de domingo e madrugada de segunda-feira foram de temporal em São Luís, e somente nos três primeiros dias de julho já choveu mais da metade do total previsto para o mês.
De acordo com o Laboratório de Meteorologia do Núcleo Geoambiental (Nugeo) da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), apesar do volume de chuvas ter sido grande, a ocorrências de temporal esta época do ano está dentro da normalidade climática.A chuva causou muitos transtornos pela cidade, como quedas de energia.
Começou a chover em São Luís ainda na tarde de domingo, dia 2, mas foi no início da noite que um temporal com forte trovoada surpreendeu muitos moradores. Em apenas 24 horas, do domingo até ontem, choveu mais de 60 milímetros em São Luís, o equivalente a 46% do total esperado para todo o mês de julho. Somadas às chuvas do sábado, dia 1º, até ontem choveu 54% da média para o mês de julho.
Márcio Elói, meteorologista do Nugeo, informou que os meses de junho e julho representam o período de transição entre a estação chuvosa e a estação seca em São Luís e que a ocorrência de temporais como o de domingo está dentro da normalidade climatológica para o período. “A chuva diária pode ser considerada alta para a estação de transição, mas é totalmente normal, porque este período apresenta características mistas das duas estações, chuvosa e seca, o que pode fazer com que ocorram outras chuvas do tipo até o fim do mês”, disse.
As chuvas do fim de semana são resultado de dois sistemas climatológicos que estão atuando em São Luís. O primeiro deles é o Sistema de Ondulação Leste, um sistema climático que tem origem na costa leste da África e que se desloca em forma de ondas pelo Oceano Atlântico, chegando ao litoral nordeste do Brasil. “Este é o principal causador de chuvas em São Luís neste período de transição”, informou Márcio Elói.
Este sistema foi intensificado pelo Contraste Térmico Ilha-Oceano, que ocorre quando a Ilha de São Luís está mais aquecida que a superfície do Oceano Atlântico, atraindo a umidade para a cidade, provocando as chuvas. “São Luís é uma ilha circundada pelo Atlântico e atrai essa umidade por meio de brisas. Esse sistema atua o ano todo em São Luís. Não houve qualquer anormalidade nas chuvas do fim de semana”, afirmou Márcio Elói.

Transtornos

Como sempre acontece em dias de chuva forte, a cidade teve muitos transtornos. Na Praia Grande, uma árvore centenária desabou na Rua da Estrela, em frente à Câmara Municipal de São Luís. Vários bairros registraram pontos de alagamentos, o trânsito ficou lento e houve queda de energia em bairros como Centro, São Francisco, Cidade Operária, Cohama e Turu.
Segundo a Companhia Energética do Maranhão (Cemar), não houve registro grave, mesmo com o aumento do número de ocorrências atendidas no domingo, que subiu aproximadamente em 50%.
A Cemar informou ainda que aumentou em 30% a quantidade de equipes atendendo às ocorrências logo após a chuva, e na madrugada dobrou sua capacidade instalada. De acordo com a companhia, a maior parte dos desligamentos percebidos deveu-se ao religamento das linhas de 69kV, com rápida duração, com o intuito de proteger o próprio sistema elétrico, visto a grande quantidade de descargas atmosféricas. A Cemar ressaltou ainda que, por segurança, as equipes de plantão não conseguem operar o sistema elétrico em momento de chuva mais intensa, pois a combinação água e energia elétrica é muito perigosa, o que explica a demora em alguns atendimentos.

Áreas de risco

Quem mora nas áreas de risco de desabamento e alagamentos também fica apreensivo em dias de chuvas fortes. O Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão informou que recebeu apenas um chamado durante o temporal. O piso de uma casa afundou por causa das chuvas. O chamado foi encaminhado à Defesa Civil Municipal, responsável por esse tipo de atendimento. Segundo as informações do Corpo de Bombeiros, o piso da residência afundou porque havia um poço na casa, que foi aterrado para a ampliação de um quarto. Entretanto, como o terreno não foi compactado corretamente, acabou cedendo. O quarto foi isolado e não há risco de incidentes na rua em que fica a moradia.
A Secretaria Municipal de Segurança com Cidadania (Semusc), por meio da Superintendência de Defesa Civil Municipal, informou que não houve chamado durante a noite de domingo nem na madrugada de ontem, sobre ocorrência em áreas de risco, devido às fortes chuvas. A Semusc ressaltou que mantém equipes da Defesa Civil de plantão, com o objetivo de atender às solicitações e prestar a assistência necessária. O serviço funciona 24 horas e pode ser solicitado por meio do telefone 153.
A secretaria comunicou ainda que realiza a “Campanha de Prevenção de Riscos e Desastres”, como medida preventiva durante o início do período chuvoso, com orientações aos moradores das áreas de risco sobre como proceder em casos de possíveis deslizamentos, com a distribuição de folders, cartilhas voltadas para o público infantil e adesivos com os números da Defesa Civil.
Já a Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos (Semosp) informou que realiza de forma periódica a limpeza de galerias, canais e bueiros da cidade, a fim de garantir o fluxo normal das águas pluviais na rede de drenagem. A Semosp reitera que continua investindo na ampliação do sistema de drenagem da cidade, com a construção de canais, galerias e redes de escoamento superficial, priorizando as áreas de inundações recorrentes.
A secretaria comunicou ainda que executa serviços preventivos de limpeza de canais e desobstrução de galerias, mas que, em muitos destes locais, são encontrados volumes excessivos de lixo, que prejudicaram o escoamento das águas durante as fortes chuvas. A Semosp pede a colaboração da comunidade na manutenção dos espaços públicos, evitando o descarte irregular de resíduos.

 

 

 

 

FONTE: IMIRANTE.COM

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