Corinthians perde de virada para Cerro Porteño

A arte de jogar fora uma vitória importantíssima na Libertadores. Depois de dominar todo o primeiro tempo, e ir para os vestiários com a vantagem de 1 a 0, o Corinthians perdeu o controle emocional no segundo tempo.

André foi o primeiro a ser expulso infantilmente. Depois, Rodriguinho. O limitado Cerro Porteño, com dois jogadores a mais, e atuando em Assunção, se empolgou. E fez o que quis do setor direito de seu ataque. Uendel teve péssima atuação. Além do miolo da zaga, com Felipe e Yago, inseguros, sem reação. O Corinthians tomou três gols, poderiam ter sido mais. Se não fosse a ótima atuação de Cássio. No final da partida, um gol de pênalti de Giovanni Augusto. Mas a derrota estava concretizada. 3 a 2.

Três pontos jogados desperdiçados.

Foi a primeira derrota corintiana na competição.

“É a terceira vez que jogamos com essa formação. Tem de ter discernimento. Até o empate, fizemos um grande jogo. Depois ficou prejudicado pelos jogadores a menos. Com o segundo, não tivemos tempo de ajustar”, lamentava Tite. Sabia que o Corinthians poderia ter voltado do Paraguai com um resultado muito melhor.

Os paraguaios tomaram a liderança do grupo 8 com sete pontos. O Corinthians caiu para a segunda colocação, com seis. Se o time de Tite vencesse, dispararia com nove pontos. Há muito motivo para lamentar esse fracasso. A sensação é de que ele era completamente evitável.

“Tivemos a maior parte do controle do jogo. Depois que ficamos com dois a menos ficou muito difícil jogar. O que aconteceu aqui hoje vai servir para nos unir. Jogamos nos minutos finais pelo André e pelo Rodriguinho. Não tem nada de baixar a cabeça. Tem muita coisa pela frente. Infelizmente, perdemos”, resumia Giovanni Augusto.

Quem acompanhou o primeiro tempo e, por acaso, foi ao cinema, tomará um enorme susto ao saber do resultado da partida. Tite traçou muito bem seu plano. Ele tinha a chance de explorar o desespero do rival. O treinador venezuelano Cesar Faria estava ameaçado de demissão. Seu time é apenas o oitavo no Campeonato Paraguaio. E tinha de dar uma resposta à avalanche de críticas. Muitas delas de dirigentes do próprio Cerro, deixando claro que sua demissão seria muito bem-vinda.

Tite montou o Corinthians para tocar a bola, preencher o meio de campo. Enervar o fraco time paraguaio. Montou seu mais do que tradicional 4-1-4-1. Ideal para o 4-3-3 escancarado de Cesar Faria. Dominando as intermediárias, o time brasileiro foi se impondo e calando a incendiada torcida do Cerro.

O único susto aconteceu aos seis minutos, quando Sergio Dias, driblou Fagner e obrigou Cássio à fantástica defesa. Com o pé. A partir daí, os paraguaios se animaram. E deram todo o campo para os paulistas. Embora faltasse Elias para fazer a transição do meio para o ataque, o espaço era tanto que Bruno Henrique e Rodriguinho se aproveitavam do espaço que tinham. Assim como Giovanni Augusto, que outra vez, mostrava bom futebol. Lucca enlouquecia a zaga paraguaia. O ponto baixo seguia sendo Guilherme. omisso. André rondava a área, buscando a chance de concluir.

E ela não demoraria. Lucca cobrou falta. O goleiro Anthony Silva rebateu para a frente. Presente incrível para André. E o corintiano não recusou a oferta. Corinthians 1 a 0, aos 12 minutos. O gol calou o Defensores del Chaco. Deixou os jogadores paraguaios ainda mais inseguros, irritados.

O que facilitava a partida para o Corinthians. Havia mais espaço para tocar a bola. Aos 19 minutos, André faria uma falta desnecessária em Valdez. E recebeu um cartão amarelo que parecia inocente. O atacante não queria nem saber, tentava aproveitar toda a liberdade que tinha. E aos 23 minutos, recebeu passe de Giovanni Augusto e deu um chute muito forte. A bola beijou a trave direita. A sensação é que o Corinthians marcaria logo outros gols.

O Cerro buscava o ataque, principalmente apostando em Sergio Dias. Ele era o jogador mais perigoso da equipe paraguaia. Assustava com suas investidas pela esquerda. Apesar de o Corinthians se impor, estava marcando mal. Fugindo às características dos times de Tite.

Mas aos 44 minutos do primeiro tempo, um lance fundamental no enredo do jogo. Outra vez Giovanni Augusto. O meia descobriu André livre diante do goleiro Anthony Silva. O atacante caprichou na pose. Mas errou o alvo do seu peixinho. A bola passou à esquerda. Perdeu gol inacreditável. E que faria muita falta.

No segundo tempo, os paraguaios partiram para o tudo ou nada. Trataram de marcar os brasileiros por pressão. Nada mais previsível. Mas parece que os corintianos não esperavam tanta ousadia. Se encolheram, se atrapalharam. E não demorou três minutos e veio o empate.

Leal, que foi muito mal no primeiro tempo, começou a se aproveitar do fraco futebol de Uendel. E cruzou com perfeição para Guilhermo Beltrán. Ele ganhou de Felipe, que foi muito mal para a bola. 1 a 1.

O gol incendiou o estádio. E mostrou o quanto o Corinthians de 2016 é diferente do Corinthians de 2015. A equipe ainda está sendo montada. Tem toda a insegurança normal de quando as coisas não estão dando certo. Principalmente no estádio do adversário. O time perdeu a concentração. Se deixou contagiar pelos gritos dos torcedores paraguaios. E começou a distribuir pontapés. Entrar de forma violenta nas divididas. Atitudes desnecessárias, improdutivas.

 

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