Com fé e oferendas, fiéis lotam Rio Vermelho para reverenciar Iemanjá

Festa à Rainha do Mar foi aberta com uma alvorada às 5h desta quinta (2).
Flores, perfumes,espelhos, colares e pentes são principais presentes.

A longa fila que se forma desde a madrugada desta quinta-feira (2) na Rua da Paciência, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador é uma das principais demonstrações de devoção à Iemanjá. A festa à Rainha do Mar foi aberta com uma alvorada quase às 5h. Na fila, centenas de fiéis aguardaram o grande momento de entregar as oferendas. Flores, perfumes, espelhos, colares, pentes. Tem de tudo que, na crença do devoto, a divindade reverenciada pelo candomblé e conhecida pela vaidade, gostaria de ganhar.

Margareth Alves, de branco, trocou perfume por flores na hora de presentear Iemanjá  (Foto: Maiana Belo / G1 Bahia)
Margareth Alves, de branco, trocou perfume por
flores na hora de presentear Iemanjá (Foto: Maiana
Belo / G1 Bahia)

As flores são maioria, pois as pessoas se dizem mais preocupadas com a sustentabilidade, com o cuidado em não poluir o mar. É o caso da dançarina Margareth Alves que disse já ter jogado perfume no mar sem o frasco, mas que hoje prefere as flores.

“Sempre trago flores é uma forma de agradecer”, disse. A escolha do presente da amiga de Margareth, Maristela Lins, foi semelhante.”Sempre escolho flores, nunca joguei nada no mar que não fossem flores. Sou de João Pessoa, moro em Salvador há 19 anos e desde então admiro essa festa”, disse.

As flores também são preferências de Rita de Cassia Paiva, mas no caso dela é para venda. A autônoma de 53 anos já trabalha com flores há cerca de 10 anos na Festa de Iemanjá, na capital baiana. “Vendo flores porque elas são lindas. Estou satisfeita com as vendas, a procura está grande. São duas por R$ 5. Tenho certeza que é o presente que Iemanjá mais gosta”, brinca.

Além de oferecer flores, a quem espera receber boas energias com um banho de folhas ao longo da Rua da Paciência. Essa é uma tradição do candomblé. “O “banho” de folhas é para afastar o mau olhado, os inimigos, ter êxito nos objetivos e abrir caminhos”, explicou Luiz de Tempo, pai de santo que já participa da festa há 20 anos.

Pai Luiz participa da festa há 20 anos (Foto: Maiana Belo / G1 Bahia)
Pai Luiz participa da festa há 20 anos (Foto:
Maiana Belo / G1 Bahia)

Da calçada onde pai Luiz oferta banho de flores é possível observar os devotos na areia da praia que fica lotada ao longo do dia 2 de fevereiro. O local se transforma em um  verdadeiro tapete branco e azul, cores escolhidas pelos devotos para reverenciar a Iemanjá. “O brancos e azul também são referências às cores do mar. Estão associados, além da alusão ao branco das ondas do mar. Iemanjá é a grande rainha, mãe de todos”, disse o jovem Ubirailton Jambeiro, adepto do candomblé.

Ainda do alto é possível ver as pessoas organizando os balaios de presentes, colocando flores no mar, pegando barcos para levar as oferendas para alto mar e muito samba de roda.

Em mais uma demonstração de fé e tradição, as pessoas se aproximam também da Colônia de Pescadores, onde podem ser depositados mais presentes. A recepção dos presentes ocorre ao longo do dia e por volta das, 16h segundo os pescadores, ocorre um cortejo no mar com cerca de 200 embarcações que levam os presentes a Iemanjá.

FONTE: G1

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