Com bala no pulmão, menino atingido por policial do DF deve passar por nova cirurgia

Projétil está alojado no pulmão e representa risco à vida do menino. Ele foi atingido no dia 6 de janeiro, quando o policial atirou contra o carro da família em uma rodovia do Entorno.

O menino baleado por um policial civil do Distrito Federal no início de janeiro vai passar pela segunda cirurgia na tarde desta segunda-feira (7). De acordo com a mãe, os médicos optaram pela cirurgia porque a bala está alojada no pulmão, região de risco à vida. Ele já tinha sido submetido a uma cirurgia no tórax, em 7 de janeiro.

Pelos riscos cirúrgicos, até a semana passada, os médicos não haviam dado início ao procedimento e acompanhavam a evolução do estado de saúde do menino.

Luis Guilherme, de 6 anos, ficou internado por 23 dias e deixou o hospital Santa Helena, na Asa Norte, no dia 29 de janeiro. No dia seguinte, os sintomas levaram a família de volta ao hospital.

“A felicidade não durou nem 24 horas”, disse a mãe ao G1. Quando percebeu o abatimento da criança, ela ligou para as médicas que o acompanham. “Elas mandaram ele voltar imediatamente”, afirmou.

Resgate do menino baleado por policial civil em briga de trânsito (Foto: TV Globo/Reprodução)

Resgate do menino baleado por policial civil em briga de trânsito (Foto: TV Globo/Reprodução)

Policial preso

O menino foi baleado no dia 6 de janeiro pelo policial civil do DF Sílvio Moreira Rosa, de 54 anos. Ele dirigia pela rodovia que liga Brasília a Águas Lindas de Goiás e, no trânsito, executou uma série de disparos contra o carro do pai de Luiz Guilherme. Sílvio está preso em Goiânia.

O juíz responsável pelo caso negou um pedido de habeas corpus impetrado pelo advogado do policial e aceitou a denúncia do Ministério Público de Goiás, feita em 17 de janeiro, por tentativa de homicídio duplamente qualificada. Segundo o promotor de Justiça Eliseu Antônio da Silva Belo, ele tentou matar por motivo fútil e impossibilitou a defesa do casal e da criança.

À polícia, o agente disse ter suspeitado de que o pai da criança era um criminoso e afirmou não ter visto que o menino estava sentado no banco de trás do veículo. A foto de Luis Guilherme estampa o vidro traseiro do carro. Para a mãe da criança, o policial civil tentou provocar um acidente antes de atirar.

O policial civil era agente penitenciário no Centro de Progressão Penitenciária do DF – ele é ligado à corporação porque, na época em que foi admitido, não existia a carreira de agente penitenciário. O homem já havia sido demitido da polícia em 2001 por tentar fraudar a própria aposentadoria ao simular um acidente. Mas conseguiu voltar ao trabalho 13 anos depois após uma decisão administrativa.

No último dia de governo de Agnelo Queiroz, Sílvio foi reintegrado no cargo de agente penitenciário e teve todos os direitos restabelecidos. Antes disso, em outubro de 2014, o policial foi nomeado para o GDF para o cargo de assessor do núcleo de acompanhamento dos projetos de deputados.

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