Michel Temer diz que Lula ‘está morto politicamente

O presidente Michel Temer (MDB), em entrevista à Rádio Bandeirantes de São Paulo, na manhã desta segunda-feira (29), analisou o cenário político das eleições deste ano e a presença ou ausência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Dizer que Lula ‘está morto’ politicamente, que a imagem, palavra, presença não estará presente [no cenário político]… morto ele não está”, declarou.

Para Temer, a ausência do ex-presidente “tensiona o país”. “Temos que distencionar as relações. O Brasil vive um tensionamento permanente. É brasileiro contra brasileiro”. “Queria que Lula participasse da eleição para pacificar o país”, afirmou.

Temer voltou a afirmar que não será candidato em 2018 e acrescentou que vai dedicar os próximos seis meses para recuperar seus aspectos morais. Ele se referiu às denúncias contra ele que vieram após a delação dos empresários da JBS.

O presidente declarou que não vai admitir que se diga impunimente que ele é “trambiqueiro” ou praticou falcatruas.

“Eu estou cumprindo muito bem o meu papel, já estou satisfeito com o que eu fiz. Eu quero alguém que defenda o meu legado. Até porque eu fui, de alguma maneira, desmoralizado por alguns embates de natureza moral, porque a minha luta não foi política, foi de natureza moral. Quem conhece minha vida, sabe o que eu tenho, sabe da absoluta inverdade nisso que se fez. Eu, nesses seis meses, vou me dedicar à recuperação dos meus aspectos morais. Não vou admitir mais que se diga impunimente que o presidente é trambiqueiro, que fez falcatruas. Não vou permitir. Meus detratores estão na cadeia e quem não está na cadeia está desmoralizado porque foi desmascarado por fatos concretos. Ninguém foi desmoralizado à toa”.

Michel Temer evitou criticar o Ministério Público Federal, mas declarou, sem citar nominalmente, que o ex-procurador Rodrigo Janot foi irresponsável: “Não acuso o Ministério Público. O que nós podemos é cifrar essa acusação a um membro do Ministério Público, que não teve tranquilidade suficiente para analisar todas as provas, verificar tudo aquilo que foi depois desmentido. Foi jogando denúncia em cima do presidente de uma maneira irresponsável”.

O presidente admitiu que a proposta de reforma da Previdência pode sofrer novas alterações e reconheceu que a economia gerada com o texto atual será menor do que a esperada, mas considerou ser melhor do que nada.

Segundo ele, a ideia do governo é não ir além do que já foi: “O Legislativo é um lugar de diálogo. Não é improvável que lá haja um diálogo para insistir junto ao governo, por exemplo, o tema da pensão, da dupla pensão, aposentadoria com pensão, deve ser amenizado, não deve… É possível que aconteça isso. Mas sempre haverá uma economia muito significativa neste padrão ao longo dos 10 anos”.

Michel Temer declarou que considera este momento pós-recesso mais favorável à aprovação da reforma do que o fim do ano passado. Para o presidente, o governo está conseguindo esclarecer que as mudanças não vão tirar direitos dos aposentados, mas garantir o pagamento no futuro.

Michel Temer foi entrevistado pelos jornalistas Salomão Ésper, Pedro Campos e Rafael Colombo e também pelo cientista político Fernando Schüller na edição desta segunda-feira do “Jornal Gente”.

Ele acrescenta garante que a proposta vai combater privilégios e equiparar servidores públicos e funcionários de empresas: “Um milhão de servidores que ganham muito acima do teto representam quase metade do déficit previdenciário do país. 29,5 milhões trabalhadores do setor privado representam essa metade mais metade. Então você veja a distorção desses privilégios”.

Michel Temer afirmou que quem não votar a favor da reforma estará fazendo um mal para o país e para os aposentados. Perguntado sobre quais privilégios a reforma colocaria um fim, Michel Temer disse que o projeto visa diminuir, principalmente, a diferente entre o setor público e o privado.

“Será que o trabalhador público, que ganha mais, trabalha mais arduamente do que o do setor privado? Ou é ao contrário? O princípio de igualdade é fundamental”.

O presidente defendeu indicações políticas para preencher cargos em empresas estatais. Ao falar sobre os quatro vice-presidentes da Caixa que foram afastados, o presidente afirmou ser quase impossível preencher todos os cargos sem indicações.

“Quando um presidente chega, ele tem um número de estatais que têm 200 cargos para preencher. Como um presidente vai sentar e escolher as 200 pessoas com critérios de moralidade absoluta?”, declarou.

“Podem chegar sugestões da classe política, eleita pelo voto. Então tenho o direito de indicar nomes. Agora, nomes inconvenientes, que não atendam muito bem, o governo decidirá. O fato de indicar não é criminoso. É um fato sensível na democracia”.

Dos 12 vice-presidentes da Caixa, quatro foram afastados por pedido do Banco Central e do Ministério Público por “irregularidades”. Os nomes dos próximos vices para os cargos serão eleitos pelo próprio Conselho da Caixa, não mais por indicação política.

“As pessoas esquecem, mas a lei das estatais, que busca a moralidade administrativa, fui eu que regulamentei. Sancionei este projeto. Aconteceu essa adaptação no Banco do Brasil, Petrobrás, Furnas e agora na Caixa. O Conselho vai nomear os vices, frutos de ato deste governo”.

(Da Rádio Bandeirantes)

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